Dor súbita e intensa na barriga ou nas costas numa pessoa mais velha é uma emergência, não é para marcar consulta: ligue 112. Para aconselhamento a qualquer hora, ligue para o SNS 24 através do 808 24 24 24.
O que se acrescenta nos próximos anos
Cada linha é um rastreio; cada ponto é uma consulta. Ao percorrer a página, a idade aumenta: veja o que começa e termina em cada aniversário.
Teste HPVMamografiaFITTensão arterialColesterolGlicemiaHepatites B, CVIH
Aos 30
Rastreio do cancro do colo do útero, de 5 em 5 anos (pode começar aos 25)
Aos 35
Análise da glicemia para despiste da diabetes, de 3 em 3 anos (sobretudo com excesso de peso)
Aos 40
Tensão arterial, todos os anos
Aos 45
Rastreio da mama (mamografia), de 2 em 2 anos
Aos 50
Rastreio do cancro colorretal: pesquisa de sangue oculto nas fezes (FIT), de 2 em 2 anos
Colesterol e risco de enfarte e AVC a 10 anos, de 5 em 5 anos
Aos 70
Termina: Rastreio do cancro do colo do útero
Aos 71
Termina: Análise da glicemia para despiste da diabetes
Aos 75
Termina: Rastreio da mama (mamografia)
Termina: Rastreio do cancro colorretal: pesquisa de sangue oculto nas fezes (FIT)
Depois dos 74–75 anos, a maioria dos rastreios deixa de ser recomendada por rotina, porque o benefício demora anos a chegar. Continuar ou não é uma decisão com o médico, em função da saúde e da vontade de cada pessoa.
Quanto vale cada rastreio
A mesma pergunta para cada um: por cada 1 000 pessoas, quantas mortes pela doença evita o rastreio? Alguns números vêm de ensaios (pessoas convidadas, ou distribuídas aleatoriamente para o rastreio), outros de um modelo que pressupõe participação total; cada um tem o seu período, indicado ao lado. Para a osteoporose, o número é de fraturas da anca, não de mortes. Por isso, os rastreios não estão ordenados numa única escala.
Cada quadrado pequeno é uma pessoa; são 10 000.
Tensão arterial
18–39, de 3 em 3 anos (ou de 5 em 5 anos se estiver normal); a partir dos 40, todos os anos
Hipertensão, que não causa sintomas e aumenta o risco de enfarte e AVC.
sem número de mortes evitadas para este rastreio
Nenhum ensaio compara pessoas com medição da tensão arterial com pessoas sem medição. O benefício vem do tratamento, que reduz claramente os enfartes e os AVC.
O que diz a evidência
Medição a partir dos 18 anos: a cada 3 a 5 anos até aos 40 se estiver normal, depois todos os anos (orientação americana, USPSTF).
Junto do médico de família, no centro de saúde; sem taxas moderadoras desde 2022 nos cuidados de saúde primários. É preciso estar inscrito num centro de saúde e ter número de utente.
a partir dos 18, uma vez, se nunca fez (de novo após qualquer novo risco)
Vírus que danificam o fígado em silêncio durante décadas, até à cirrose ou ao cancro. A hepatite C cura-se hoje com comprimidos em 8–12 semanas.
sem número de mortes evitadas para este rastreio
Não foi quantificado nenhum benefício em mortalidade para o teste em si. O benefício vem do tratamento: a hepatite C fica curada em mais de 95% das pessoas tratadas.
O que diz a evidência
Sem programa geral de rastreio; o teste é aconselhado após qualquer possível risco.
Tipos de HPV de alto risco, que ao longo de anos podem transformar as células do colo do útero em cancro. Um teste positivo leva a uma citologia e, se necessário, a uma colposcopia, onde se detetam alterações antes de se tornarem cancro.
8por 1 000
mortes por cancro do colo do útero evitadas por 1 000 mulheres com teste HPV de 5 em 5 anos, dos 30 aos 65, em comparação com nenhum rastreio: de 8,34 para 0,29 (estimativa por modelo, EUA)
estimativa por modelo
O que diz a evidência
Teste HPV de 5 em 5 anos dos 30 aos 69, segundo a norma de 2024; pode começar aos 25. Páginas mais antigas ainda referem citologia de 3 em 3 anos dos 25 aos 64.
Rastreio do cancro colorretal: pesquisa de sangue oculto nas fezes (FIT)
50–74, de 2 em 2 anos
Vestígios invisíveis de sangue nas fezes, um sinal de pólipos e de cancro colorretal. Um teste positivo leva a uma colonoscopia, onde os pólipos podem ser removidos na altura.
Se um pai, mãe, irmão ou filho teve cancro colorretal, não espere pelo programa: a colonoscopia começa aos 40 anos, ou 10 anos antes da idade em que o seu familiar foi diagnosticado, o que vier primeiro. Diga-o ao seu médico de família.
24–28por 1 000
mortes por cancro colorretal evitadas por 1 000 pessoas rastreadas, dos 45 aos 75, estimativa por modelo (EUA)
estimativa por modelo
O modelo assume FIT todos os anos (ou colonoscopia de 10 em 10 anos) a partir dos 45. O programa português, de 2 em 2 anos a partir dos 50, evita um pouco menos mortes.
O que diz a evidência
Pesquisa de sangue oculto nas fezes (FIT) de 2 em 2 anos, dos 50 aos 74 anos. Em 2024, só cerca de um terço das pessoas desta idade foi convidado.
Homens: a partir dos 40, de 5 em 5 anos; Mulheres: a partir dos 50, de 5 em 5 anos
A probabilidade de enfarte ou AVC nos próximos 10 anos, calculada a partir do colesterol, da tensão arterial, da idade e do tabagismo.
sem número de mortes evitadas para este rastreio
O benefício vem do tratamento: em 18 ensaios com adultos sem enfarte ou AVC anterior, as estatinas significaram cerca de menos 3,5 mortes por 1 000 pessoas tratadas, ao longo de 6 meses a 6 anos.
O que diz a evidência
Orientação europeia de prevenção (ESC, 2021): a avaliação do risco pode ser considerada em homens com mais de 40 anos e mulheres com mais de 50 anos.
Junto do médico de família, no centro de saúde; sem taxas moderadoras desde 2022 nos cuidados de saúde primários. É preciso estar inscrito num centro de saúde e ter número de utente.
Junto do médico de família, no centro de saúde; sem taxas moderadoras desde 2022 nos cuidados de saúde primários. É preciso estar inscrito num centro de saúde e ter número de utente.
Cancro do pulmão numa fase em que ainda pode ser operado.
3por 1 000
mortes por cancro do pulmão evitadas por 1 000 grandes fumadores examinados todos os anos, ao longo de cerca de 7 anos, em comparação com radiografia do tórax (NLST)
medido num ensaio
Quase um quarto dos exames dá positivo à partida; quase todos se revelam falsos positivos.
O que diz a evidência
Não há programa nacional; dois projetos-piloto do SNS (Gaia/Espinho e Santa Maria, em Lisboa) convidam fumadores e ex-fumadores recentes dos 55 aos 74 anos, com muitos anos de tabaco, para uma TAC de baixa dose.
Uma dilatação da artéria principal no abdómen, que não causa dores nem sinais até rebentar.
4,6por 1 000
mortes por aneurisma evitadas por 1 000 homens convidados para uma ecografia, ao longo de 13 anos (ensaio MASS)
medido num ensaio
Em dezembro de 1948, o cirurgião Rudolph Nissen abriu o abdómen de Albert Einstein em Brooklyn e encontrou um grande aneurisma na aorta. Não havia forma de a substituir, por isso envolveu-a em celofane para a reforçar. Einstein viveu mais seis anos. Em abril de 1955, o aneurisma rebentou; recusou a cirurgia e morreu a 18 de abril. Hoje, a mesma dilatação aparece numa ecografia que demora poucos minutos.
O que diz a evidência
Sem programa nacional em Portugal.
Como ter acesso
Homens com mais de 65 anos que tenham fumado podem falar com o médico de família.
Teste PSA para o cancro da próstata
Cancro da próstata, incluindo muitos tumores pequenos que nunca causariam danos.
Se o seu pai ou irmão teve cancro da próstata, ou se tem origem africana, a conversa sobre o PSA começa aos 45 anos; com uma mutação BRCA2, aos 40 (orientação europeia de urologia, EAU).
2,2por 1 000
mortes por cancro da próstata evitadas por 1 000 homens dos 55 aos 69 convidados para rastreio com PSA, ao longo de 23 anos (ERSPC)
medido num ensaio
Mais de 45% dos homens testados em todas as rondas tiveram pelo menos um falso positivo ao longo de 10 anos, e 20–50% dos cancros detetados nunca causariam danos.
O que diz a evidência
Sem programa de rastreio; está previsto para 2027 um projeto-piloto para homens dos 55 aos 70 anos. O PSA sem sintomas é uma decisão a tomar com o médico.
fraturas da anca evitadas por 1 000 mulheres mais velhas, ao longo de 4–5 anos (três ensaios)
medido em ensaios
O que diz a evidência
Sem programa de rastreio.
Como ter acesso
Através do médico de família, se o risco estiver aumentado.
Observação da pele (cancro da pele)
Melanoma e outros cancros da pele, através da observação de toda a pele, incluindo o couro cabeludo.
sem número de mortes evitadas para este rastreio
Nenhum ensaio mostrou menos mortes por melanoma com a observação da pele de pessoas sem sintomas; estas observações detetam muitas manchas que levam a biópsias.
O que diz a evidência
Sem programa de rastreio. Observe a própria pele e fale com o médico sobre um sinal que mude.
As clínicas privadas vendem check-ups «completos». Os exames abaixo aparecem muitas vezes nesses pacotes e não têm evidência de salvar vidas em pessoas sem sintomas e com risco médio; alguns causam danos. Com sintomas, é preciso ir ao médico, não seguir uma lista de rastreio.
Marcadores tumorais (CEA, CA-125, CA 19-9, CA 15-3, AFP) sem sintomas
Em dois grandes ensaios com CA-125, as mulheres testadas não tiveram menor probabilidade de morrer de cancro do ovário. Entre 1% e 3% foram operadas sem ter cancro, e até 15% destas tiveram complicações graves.
Na Coreia do Sul, depois de a ecografia da tiroide passar a fazer parte dos exames de rotina, os diagnósticos de cancro da tiroide multiplicaram-se por quinze em 18 anos, enquanto as mortes se mantiveram. Das pessoas operadas, 11% ficaram com lesões nas glândulas paratiroides.
A Food and Drug Administration dos EUA diz não conhecer evidência de que exames de corpo inteiro em pessoas sem sintomas tragam mais benefícios do que danos. Encontram «alguma coisa» em muitas pessoas, e cada achado leva a mais exames.
Uma revisão Cochrane de 17 ensaios com mais de 230 000 pessoas não encontrou diferenças nas mortes entre as pessoas convidadas para check-ups gerais e as não convidadas. O que importa são os rastreios adequados à idade, não a quantidade.
A recomendação dos EUA desaconselha-o explicitamente: não muda o que acontece ao coração, mas pode dar origem a exames de acompanhamento desnecessários.
Gratuitos no SNS: teste HPV de 5 em 5 anos dos 30 aos 69; mamografia de 2 em 2 anos dos 45 aos 74; pesquisa de sangue oculto nas fezes de 2 em 2 anos dos 50 aos 74. As consultas com o médico de família e os exames que pede são gratuitos, tal como os testes do VIH e das hepatites nos centros CAD.
Que exames deve fazer aos 40 anos?
Mulheres: Rastreio do cancro do colo do útero, Tensão arterial, Análise da glicemia para despiste da diabetes, Hepatites B e C, teste único, VIH, teste único. Homens: Tensão arterial, Colesterol e risco de enfarte e AVC a 10 anos, Análise da glicemia para despiste da diabetes, Hepatites B e C, teste único, VIH, teste único.
Que rastreios deve fazer a partir dos 50 anos?
Mulheres: Rastreio do cancro do colo do útero, Rastreio da mama (mamografia), Rastreio do cancro colorretal: pesquisa de sangue oculto nas fezes (FIT), Tensão arterial, Colesterol e risco de enfarte e AVC a 10 anos, Análise da glicemia para despiste da diabetes, Hepatites B e C, teste único, VIH, teste único. Homens: Rastreio do cancro colorretal: pesquisa de sangue oculto nas fezes (FIT), Tensão arterial, Colesterol e risco de enfarte e AVC a 10 anos, Análise da glicemia para despiste da diabetes, Hepatites B e C, teste único, VIH, teste único. Ainda não há rastreio nacional do pulmão, apenas dois projetos-piloto; os grandes fumadores podem falar com o médico de família.
Que rastreios deve fazer a partir dos 65 anos?
Mulheres: Rastreio do cancro do colo do útero, Rastreio da mama (mamografia), Rastreio do cancro colorretal: pesquisa de sangue oculto nas fezes (FIT), Tensão arterial, Colesterol e risco de enfarte e AVC a 10 anos, Análise da glicemia para despiste da diabetes, Hepatites B e C, teste único, VIH, teste único. Homens: Rastreio do cancro colorretal: pesquisa de sangue oculto nas fezes (FIT), Tensão arterial, Colesterol e risco de enfarte e AVC a 10 anos, Análise da glicemia para despiste da diabetes, Hepatites B e C, teste único, VIH, teste único. Ainda não há rastreio nacional do pulmão, apenas dois projetos-piloto; os grandes fumadores podem falar com o médico de família.
Vale a pena um check-up geral privado?
Em geral, não. Uma revisão Cochrane de 17 ensaios concluiu que os check-ups gerais não fizeram diferença nas mortes. Os marcadores tumorais e os exames de corpo inteiro em pessoas sem sintomas originam muitos falsos positivos. O que importa é o rastreio adequado à idade.
A coluna da evidência segue as normas de rastreio da Direção-Geral da Saúde (DGS); para a dimensão de cada benefício, os ensaios aleatorizados e as revisões de evidência da US Preventive Services Task Force. Quando Portugal não tem programa, a página diz.
As vidas salvas são absolutas: mortes evitadas por 1 000 pessoas, e não «menos 42%». Algumas vêm de ensaios (pessoas convidadas, seguidas durante um número fixo de anos), outras de modelos que assumem que faz todos os testes durante toda a vida. Estão assinaladas em separado e não são ordenadas.
Esta página não substitui o médico. Com sintomas, história familiar de cancro ou doença crónica, a lista é diferente e é feita com o médico.
Porque mudam as idades
As idades de rastreio mudam quando a evidência muda, e ultimamente têm descido porque algumas doenças aparecem agora mais cedo: em 2021, os EUA baixaram o rastreio colorretal dos 50 para os 45 anos com o aumento do cancro colorretal em adultos mais jovens, e o teste da diabetes dos 40 para os 35; Espanha e Áustria alargaram os programas em 2025–2026. Todas as regras aqui foram verificadas em setembro de 2026. O rastreio deteta a doença cedo; não a previne. A outra metade mantém-se: não fumar, peso saudável, mexer-se mais e beber menos.
Fontes
Todas as regras e números da página, com a respetiva fonte. Revisto em 27 de setembro de 2026.